É por não gostar de futebol que sou do Benfica.
Tal como compreendo como é que há portugueses que conseguem
ser de outros clubes.O Sporting, o Porto podem jogar bem e o
Belenenses e a Académica podem calhar bem em sociedade,
mas só o Benfica, como o próprio nome indica, é o
próprio Bem. Que fica.
Só o Benfica pode jogar mal sem que daí lhe advenha algum mal.
Basta olhar para os jogadores para ver que sabem que são os
maiores, que não precisam de esforçar-se muito, porque são
intrínseca e moralmente a maior equipa do mundo inteiro.
Porquê?
Ninguém sabe. Mas sente-se. Quando perdem, não se indignam,
não desesperam.
Eusébio só chorou quando jogou por Portugal.
Quem joga no Benfica tem o privilégio e o condão de
estar sempre a sorrir.
Não conseguem resistir.
O Benfica, a bom ver, nem sequer é uma equipa de futebol.
É um nome.
É, como dizem os brasileiros, uma "griffe". Têm uma cor.
Antes de entrar em campo, já têm um mito em jogo, já estão a
ganhar por 3-0, graças só à reputação.
Quando o Benfica perde, parece sempre que quis perder.
Essa é a força inigualável do Sport Lisboa e Benfica - faz
sempre o que lhe apetece.
O problema é que lhe apetece frequentemente perder.
Qual é o segredo do Benfica? São os benfiquistas.
São do Benfica como são filhos de quem são.
Ninguém "escolhe" o Benfica, como ninguém escolhe a Mãe ou o Pai.
Em geral, aliás, os benfiquistas odeiam o Benfica e
lamentam-no no estádio e em casa, mas pertencem-lhe.
Quanto mais pertencemos a uma entidade superior, seja a Família,
a Pátria, Deus - ou o Benfica - , mais direito temos de criticá-la
e blasfesmá-la.
Não há alternativa.
Em contrapartida, os sportinguistas e portistas parecem
genuinamente convencidos de que apoiam as equipas deles porque
são as mais dignas ou as melhores.
Desgraçados!
Se fossem coerentes, seriam todos adeptos do REAL MADRID,
AC MILAN, etc, etc.
No Benfica, não se exige qualquer lealdade. Só se pede,
em relação aos adeptos de outros clubes, caridade e comiseração.
O Sporting, por exemplo, tem a mania e a pretensão de ser "rival" do
Benfica, um pouco como o PSN se julga crítico parlamentar do PSD.
Mas, se se tirasse o Benfica ao Sporting, o Sporting deixaria de existir.
O Benfica é um grande clube porque tem história e talento suficientes para
não dar importância aos resultados.
Tem uma tradição de "nonchalance" e de pura indiferença que não tem igual
nos grandes clubes europeus.
O Benfica não joga - digna-se jogar.
Não joga para vencer - vence por jogar.
Odeio futebol.
Mas amo o Benfica.
As opiniões de quem gosta de futebol são suspeitas.
Claro que os sábios são do Benfica. Mas a força deste grande clube está nos
milhões que são benfiquistas apesar do Benfica, apesar do futebol, e apesar
deles próprios.
Em contrapartida, aposto que a totalidade de pessoas que são do Sporting ou do
Porto, por infortúnio pessoal ou deficiência psicológica, são sócios.
A força do Benfica, meus amigos, está em quem não paga as quotas, que não
vai a jogos, quem não sabe o nome dos avançados - isto é, no resto do mundo.
O Benfica, é o Benfica.
E o que tem de ser - e é - tem muita força.
Miguel Esteves Cardoso

1 comentários:
O treinador do SC Braga tinha previsto que algo ia acontecer. Realmente acertou - um vulcão entrou em erupção na Luz debitando para a atmosfera cinzas vermelhas que cobriram o espaço aéreo nacional de norte a sul do país, também em África, na Ásia e na Europa. O magma incandescente derreteu os maus perdedores, sempre prontos a minimizarem as vitórias dos outros através da intimidação e comunicados dignos de uma taberna do interior. Falaram em túneis - esqueceram-se do verdadeiro precursor do túnel nauseabundo dos anos 90 -, criaram um artificial candidato ao título que, apesar da sua boa época desportiva, foi sustentado por erros arbitrais. Mesmo assim, venceu a melhor equipa: o Benfica. Com um futebol vistoso, com o melhor marcador, com o maior número de golos marcados e menos sofridos, com jogadores ameaçando transferências milionárias, com mais espectadores e carregados por um andor - os adeptos. Como diz Chico Buarque: foi bonita a festa, pá!
Enviar um comentário